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Mestres: Grandes Poetas | Citações | Poemas de Amigos | Poesia Temática

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Poemas para Fabio Rocha

Renata

Poeta

Não te conheço
(mas não me conheço também)
Mas espero
tuas dores
teus amores
e teus versos.

Ah, em ti...
há tanto de mim
e tanto de todos
e tanto de tudo.

De cada linha tua
transborda
...música
...alívio
...alento
...alimento.

Tu escreves
minhas palavras
que não souberam
como chegar até o papel.

Cris de Souza

Das tuas asas

(para Fabio Rocha)

Borboletras
Bordam teu brio
Nas belas
Entrelinhas

Borboletas
Brindam teu rio
Nas brisas
Das linhas

Por toda face
Bordado à mão
Brilha nos ares
Do universo

Por toda fonte
De inspiração
Dourado oásis
Dá asas ao verso

Ígor Andrade

Somos o que somos

Para meu amigo Fabio Rocha.

Um poeta
precisa de paixão
precisa de pai
precisa de paz
precisa de papel.

Ser humano
é inspiração demais
para nossos devaneios.

Um poeta
precisa de pontes
portas
janelas.

Olhar o céu todo dia
e não se cansar.

Precisa de nada e tudo
precisa de antes e depois
precisa de nunca e sempre.

Existir e escrever
porque a vida é um texto raro
de linhas tortas.

"A poesia
não leva a nada.
Leva a tudo."

A poesia nos levou
e nos trouxe
para este mundo
que é o mesmo e diferente.

Quanto mais penso
que somos poetas
mais sou
um poeta que não pensa.
Só sinto.
Sentir é pensar quieto
ou preocupado
gritar no silêncio
a loucura mais pura.

Sincronicidades à parte
a nossa vida é poesia
sem limite
sem data
sem dia
e sem fim.

Luiz Guilherme (Libório Sapiens)

A queda da matilha

Para Fabio Rocha.

[...]
"Queria voltar ao que nos pertence
com um poema
na medida
do impossível"

Um dia desses escreveremos algo
Que andará milhões em tempo
pra frente.
Assimilará o povo
as bananas
os poetas,
arreganhará os dentes!
A tudo tudo tudo que atormente.

Será tão leve, mas tão maciço,
que ouviremos longe, dum anjo bem quente:
"Ih, olha lá o sujo serviço
pra gente"

E tudo então acabará
Ex-plo-di-da-men-te...

Ígor Andrade

A cura

Para o amigo Fabio Rocha.

A poesia
me mantém vivo
até quando morro aos pouquinhos.
Me mantém lúcido
e me sintoniza com o tempo.

Estou de pé
decidindo para que horizonte
seguir.

Que o sol continue nascendo
ou se pondo
e que os mosquitos
não me roubem o silêncio.

Alexandra (Portugal)

MAGIA
(na poesia de um)

mago Filosófico
sabe desconhecendo, como Alcança
o impérvio, o sonho Belo...
Intuitivamente, pensando escreve
Ocas palavras densas
de subtil Riqueza!
estonteante a magia Oculta
da sua estrela Cintilante.
Hilariante poesia, séria?
Aberta, livre, leve...

(-re-conheces?)


Lucimara Hayoama

InSaTiSfAçÕeS dE QuInTa
(ou “DeSdE mAnHã TeNtO, sEm SuCeSsO,
lEr O nErUdA eM cImA dA mEsA”)

(Para Fabio Rocha )

Não.
Não é possível
criar um poema
nesse escritório.
O grampeador é feio
a mesa é velha
os armários, cheios.
Na minha cabeça
há umas idéias
soltas e meu olhar
num esforço hercúleo
poderia até ver beleza
sob o encardido
das persianas.
Mas, por tédio
e cansaço e
falta de vontade
a tarde escoa
como papel A4
quando o fax dá pau:

até esgotar-se
e sem poesia.

(sei que somos mais)

Adelaide do Julinho

fábio rocha é fabio
mário quintana é mario.
dois acentos perdidos:
dois remos no mesmo rio.

(mesmo ramo
mesma rama
mesmo rumo
mesma rima)

rema, fabio
mario, remoinho.

(quem diria
o erro de ortografia
virou poesia)

Débora Hubner

Aula de Geografia

Apontei coordenadas
fugi dos meridianos
pelas latitudes, enquanto
procurava os paralelos.

Os pontos cardeais
negaram ajuda.

E multipliquei e somei,
e subtraí e dividi
e calculei graus.
Mas nada.

Cartografia inútil
que só decifra cartas
ao invés de aproximar
pontos no mapa.

 

Elaine Pauvolid

POR MISERICÓRDIA

Traindo, cantas teus versos, teus segredos
por eles e para livrar-te deles.
Que serás após? Teu próprio verso?

Nunca outro a contar de ti
em utopia generosa de viver!
Que outro, se é às tuas costas
que ardem as verdades,
e é o teu sangue
que borda as páginas?

Trai, evola-se
o poema que te move,
alimento da alma receosa,
eco de outras vozes desejosas.

Por misericórdia hão de escutar-te
quando clamares por isto
nas chamas de "teus livros".

A música cuja letra não é tua
é a mesma que saúda
inocentes sem traição alguma,
e é isso que traduz teus berros
em versos claros, não mais a chuva
e tua ciranda de solidão e bruma.

Fellipe Cosme

Depressão

Para o Fabio Rocha

Não chores,
Jesus das letras,
Diabo do inferno.

Palavras são palavras,
A esperança chora,
Não chores não.

O ódio, o rancor,
A vida choram.
Deixa que chorem por ti.

Deixa que os versos chorem
De agora em diante.
Não chores por eles.

Não chores
Pelos que não choram,
Nem pelos que riem do mundo.

Chores por viver,
E por teres do inferno
Um céu de arco-íris.

Que chores
Pois do mais ardente calabouço
Constroes a mais bela poesia.

E viva à poesia,
Mesmo no inferno!

Um brinde a ela!

(26 de Novembro de 2003)

Rodolfo Muanis

navalha palavra e uma garrafinha de refrigerantes

para Fabio Rocha

"a juventude é uma banda
numa propaganda de refrigerantes"

Engenheiros do Hawaii

o mundo é uma grande armadilha
tentando aprisionar a poesia

fazem de você dia a dia
para que escondas seus versos na gaveta
caçam as borboletas para pesquisas
calam o amor com lágrimas

ainda bem que quem é poeta
saca a palavra como uma navalha
e rasga o silêncio seguindo adiante

segue firme sabotando o tempo
e deixando soprar o vento
vai vendendo refrigerantes

(16 de Outubro de 2003)

Marise de Sousa

Amo amanhã

(para Fabio Rocha)

Hoje não posso,
tudo conspira:
o medo veste a fantasia!

Hoje não devo,
a noite (in)sonha
agonia!

Vou amar amanhã,
"amanhã vai ser
outro dia"!

Ana Maria

FABIO ROCHA

F ilho virtual querido, parido do coração, operou a magia nas minhas noites vazias
A lguém, me zelando e espreitando? É o divino querer ...
B eijo-te a fronte com a ternura cativa
I dêntica a Virgem Maria
O sculando a face do filho já inerte, expressando ali a máxima do amor

R egozijam-me as alegrias dos seus encantos
O seu falar doce, suave, terno, compreensivo
C arinhoso, meigo, e pungente
H á que falar sempre mais alto
A esse pobre coração carente.

Emocionada acrescento: Pari pelo coração
o mais lindo e terno filho virtual...

Moema Goldmann

Feliz és tu Fabio
que na vida vindo,
és capaz de pensar tão grande
e sonhar tão lindo!

És uma lição para aqueles
que da vida indo,
só encontraram solidão e sequer conseguiram
ver a vida lhes sorrindo.

Quando jovem sem buscar
encontrei...
aquele que pensei,
até seus defeitos pudesse admirar.

Que engano!
O tempo passou e sem esperar,
veio a terrível decepção
ele sem pena de me magoar
feriu muito meu coração.

E agora ao ler o teu poema lembrei-me de Florbela Espanca quando diz:

"Sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver e
nunca na vida me encontrou."

Talvez eu retome essa "Busca" e deixe de ser a visão de alguém que
sonhou...pois decepção não é motivo para se deixar de ser feliz.

Moisés

Abominável menestrel das neves

Um violão que toca a última nota
Um tom sustenido que perdura no ar
Que insiste ao saber que sua vida se
extingüe
Que, aguda, estica-se e morre

O silêncio perdura no ar
Pois o trovador não quer mais falar
Os lobos que uivavam á sua companhia
Agora silenciam em triste melodia

As nuvens cobrem a luz do luar
A névoa vem para opaca o ar tornar
Antes conhecido por sua alegria
Hoje a canção se torna desarmonia

A neve cai indiferente, friamente
Congelando o calor tropical
Punindo a razão, enevoando a mente
Completando visualmente o final

O herói agora é monstro
O lorde agora é servo
O trovador agora mudo
O guardião agora dorme

Nos lábios não mais uma canção
Nos lábios não mais um beijo
Nos lábios agora a morte
E a tristeza da última, silenciosa,
canção


Outros poemas de amigos

Wanderlino Arruda

CHUVA-LUZ PARA A MULHER-SEREIA

Por que olhar para cima?
Por que semimergulho no mar?
Braços querem abraços,
mãos dançam música sincera
em apertos do coração.
A luz redesenha chuvas e marcas de seios,
louros cabelos, pele de pêssego:
mulher-sereia,
mulher inteira, mulher sim,
mais do que mulher...
E porque sensível e linda,
enigmas suspiram no vento sul nos mais róseos acalantos.

Luiz Carlos Amorim

ÁRVORE-FLOR

Meu pé de jacatirão
caiu semente em mim
brotou viçoso e verde,
ficou raízes,
cresceu frondoso
e desabrochou,
floresceu cores.
Pintou de branco,
rosa e vemelho
todo o chão
do meu coração...

Eliane Malpighi

o homem que eu amo
atravessou o meu deserto
e entrou em mim como oásis
varreu as folhas secas
de um inverno longo
que quase me matou
de medo, de frio e solidão
trouxe de um outono de sonhos
um hoje que me sacia
e na primavera com que me invade
quero embriagar-me em seus beijos

és o avesso da minha ilusão
e eu nem sabia

Rosa Clement

MARIPOSA

Meus dias passarão tal como hoje,
marcados na sentença deste pouso
onde o vento não abre minhas asas
e só me faz a presa dessas horas...

Sou eu a mariposa na vidraça
olhando as borboletas da paisagem,
que dançam sob os prazeres do vento,
na luz que amo tanto sem mistério.

O tempo passará sempre ofuscante
trazendo borboletas frente a mim,
detidas neste sonho dos meus olhos.

Resta-me debater tão loucamente
para voar, e nos ares sentir
a minha luz, meu vento, meu amor.

Rita Sá

PARA UM NOVO AMOR

Um dia hás de chegar 
e vais trazer no teu abraço toda a salvação de mim 

Hás de-vir cheio de vontade de nós 
e levarás embora toda saudade e dor do outro que não soube 
nem quis ficar 

Hás-de trazer no corpo o saboroso licor que me darás a beber 
que cortarás em cálices de amor e doçura 
nas noites e dias em que a mágoa do outro persistir 

Virás eu sei 
um dia 
E eu te acolherei como a um anjo 
descido dos céus 

E te darei todo aquele amor que ainda restou 
adormecido 

em mim

(22/04/2000)

Luiz Carlos Lemos

MOTIVO

Não quero que os críticos
me elogiem.
Não pretendo que os sábios
me estudem.
Nem sonho que os céticos
me creiam.

Não quero ser,
abjeto,
objeto de teses pomposas.

Só quero que os cegos me leiam,
só sonho que os surdos me ouçam,
só pretendo que os loucos me entendam.
E que os bêbados cantem e dancem
meus versos, nas ruas mortas...

E que os velhos e as crianças
me tragam beijos e rosas.

Eliana Mora

CEGUEIRA


meu corpo
em luz
parece flutuar
como garrafa transparente
em pleno mar
inchada
grávida
de bilhete antigo

para amor

que nem lê mais

(14 de novembro de 2000)

Anibal Beça

PARA QUE SERVE A POESIA?

De servir-se utensílio dia a dia
utilidade prática aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.
O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camelôs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.
De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho, e o fugaz fulgor de astro arisco.
Serena sentença em sina servida,
. . seu valor se aquilata e se esparrama
. . na livre chama acesa de quem ama.

Ricardo Alfaya

O ÚLTIMO GUARDIÃO

Havia um fogo no céu. O guerreiro olhou preocupado, empunhando sua lança. De pé, olhou em volta. A linha do horizonte se encontrava longe, muito longe de seus olhos. À beira do rio, no meio da mata, estava só. Apenas ele e aquele ardor no céu. Recostou-se em uma árvore, consultou o Livro Sagrado. Tentou manter-se alerta, mas pouco tempo resistiu. A caça e a pesca foram fartas. Por que comera tanto? Agora lhe vinha um sono intenso. E o círculo flamejante, estaria com fome? Olhou de novo para a mancha vermelha sobre o azul. A esfera incandescente lhe pareceu bela e faminta, apenas esperando o momento certo para o bote. Resolveu pôr-se novamente de pé, ainda assim, as pálpebras pesavam. Uma voz jovem de mulher vinha com o vento e sussurrava: "morrer é doce". Mas ele não acreditava. Sentiu os joelhos se dobrarem, o livro lhe cair das mãos. Era um homem forte, que derrotara três gigantes, mas seus joelhos se dobravam. O crepitar das chamas parecia mais perto, mais nítido. Do vento continuava o sussurrar, "descansa, bravo guerreiro", e ele já estava de joelhos, tocando a terra sentindo-lhe a aspereza. Não havia muito tempo. Num esforço supremo, lançou em torno um último olhar. Pela derradeira vez contemplou bem próximo o tamanho de sua solidão. Em seguida, sentiu-se sair do corpo, sendo guiado pela voz que vinha com o vento. E a carne já inerte tombou de vez. Quando isso aconteceu, aquele planeta inteiro foi devorado pelo fogo.

Soares Feitosa

DO BELO-BELO

para Manuel Bandeira, inventor de outros belos.


É mentira dos paisagistas,
quando dizem:

o belo deve ser o grande canion;
as paisagens da tundra gelada;
os coelhos, os alces da planície;
um olho distante,
a mata
em flor.

Belo também deve ser à tarde rubra
(que eu mesmo cantei,
dos meus paredões, Ibiapaba,
a serra vasta),
o sol rasgando a montanha,
quando s'escondia
pro outro dia...

Também belo, o sorriso
da mulher
(ou do homem, conforme)
amada, amado,
que o amor é belo
e ninguém contesta.

Nenhuma beleza maior,
porém, do que a dos dois-dentes,
dois,
podem ser os de cima,
podem ser os de baixo,
quatro;
também pode ser assim, quatro,
ensaiados de um sério para um sorriso,
os dentes - ou somente o lugar deles, dentes;

uma gengiva, melhor assim, só a gengiva,
banguela, ao nascedoiro do que há de vir -
e a criança, e os dois meses
e o seio pleno,
derramado,
pingado, apojado, cheio:

-- meu filho...

A profunda paz de fêmea-mãe,
que a voz e os olhos se transmudam,
se regaçam de multi,
multitons de paraíso - deve ser igual -,
e os cherubins abaixam, trêmulos, as espadas, deixam-na
entrar...
que lá,
por certo, e o sorriso,
um dia fora assim mesmo:

-- mãe,
sou eu, amor.

Salvador, tarde quente, 27.10.1995.

Francisco Alvim Jr.

FÁBULA

Meu filho caçula, que tem onze anos,
separou cuidadosamente dois ou três grãos de feijão
e aninhou-os em um pequeno chumaço de algodão
embebido em água.

A filha do meio, que tem quatorze anos,
colocou-os para receber sol,
alegando que era isso muito importante!

O filho mais velho, que tem dezoito anos,
teceu comentários científicos a propósito da experiência,
e não fez mais caso.

A mãe, que tem trinta e oito, regou-os por dias a fio,
e ensinou a todos que era isso fundamental
para a germinação e crescimento da planta!

E eu, que nem sou João,
e já te tenho quarenta e tantos,
e tantos anos de poesia,
esperaria tantos anos mais para vê-lo crescer,
e nele subir...

E poder alcançar as nuvens, junto com meu filho caçula.

Nathan de Castro

Soneto pra Abraçar os Amigos Poetas Internautas ( por e-mail )

Na vida caminhei qual entendido...
depois de muitos anos percebi
que não sabia nada e já perdido,
um dia na poesia a luz eu vi.

Iluminei meu quarto com poemas;
e pra sangrar canções, atravessei;
portais que pelo mundo dos sistemas,
um dia descobri... e me encantei!

Pra navegar meus sonhos e lembranças,
hoje bebo emoções nas madrugadas;
persigo os meus caminhos co'esperanças

de vidas e paixões na caminhada...
Na tela, companheira das andanças:
- Abraço os meus amigos desta estrada!

Felipe Sáles

Homezinhos Verdes (Ou um dia no Exército)

Pra um mundo limpo e sadio,
eu e outros fomos abduzidos.
Haviam homenzinhos verdes
com armas talvez a lazer.

Gigantes homenzinhos verdes.
Os olhos nao tinham cor,
os ouvidos tinham redes
e a arrogancia ardia em sede.

Métricos homenzinhos verdes...
Até parecem conosco,
mas nos corações tá exposto
prazer no alheio desgosto.

Fétidos homenzinhos verdes...
Eram todos de um só sexo!
Como nasciam os seres?
Teriam órgãos anexos?!

Gélidos homenzinhos verdes...
Mal humor: é ou não perene?
É o excesso de contigente
ou uma simples TPM?

Verdes homenzinhos árvores.
Jáz uns em forma estática.
Longínquo olhar de mármore
e um silêncio a louvar a pátria.

E então... saudei o mundo civil.
Vi que posso não ser viril
nem ser verde - mas sou livre;
tenho a esperança que não vivem.

Angela Nassim - Lynn

O CLAMOR DOS POETAS

Deixai, poetas,
de cantar loas
à mulher amada,
erguei vossas vozes
poetas,
aos alienados!

Juntai vossas vozes
aos lamentos
dos desesperados,
e dos esfomeados,
filhos da miséria,
de pais desempregados,
abandonados, deserdados,

Gritai por justiça,
clamai aos
seus dirigentes,
enternecendo-os
com os lamentos,
com os gritos
de fome
dos seres carentes,
frutos da rapina e
da ganância.

Despertai,
poetas,
as consciências,
não as deixeis
dormir no silêncio
do descaso,
e do desdouro.

Clamai,
poetas!

Alexandre G. Botelho - Daishoo

ALEGRIA

A alegria em teu belo peito
Bateu as asas voou, voou...
E ergueu-se alta no firmamento,
Ninguém mais a viu, a avistou.

Tua alegria, ave peregrina,
Fugiu de ti e o mundo rodou,
Triste e sozinha em sua sina
De vagar longe de quem amou.

Tua alegria conheceu mundos
De sã beleza, moral sem-par;
E os viu enfim, tristes, moribundos,
Em guerras d'ego se acabar.

Tua alegria voou voou...
Jamais parou para descansar.
Durante o vôo se transformou,
Embruteceu-se por não ter lar.

Tua alegria em um delírio
Debalde quis para ti tornar.
Alegria quer voltar do exílio...
Quando! Quando a deixarás voltar?

(09/04/1999)

Lau Siqueira

AOS PREDADORES DA UTOPIA

dentro de mim morreram muitos tigres

os que ficaram no entanto são livres

Cristianne - Tiza

NÃO MAIS

Já não mais me importa:
Se do caos surgiu o início
E do barro nasceu o mito,
Se o sol explode em cores
E a lua cheia é puro feitiço.

Já não mais me importa:
Se a ostra a pérola aborta
E o mar de ressaca é bravio,
Se a flor sem recato se abre,
Alimentando desejos lascivos.

Já não mais me importa:
Se da boca a dor escorre
E da garganta cala-se gemidos,
Se a esperança ainda existe
Dependurada a beira do abismo.

Já não mais me importa:
Se os meus olhos eram sedentos
E os seus, são de mel cristalino,
Se do passado restam silêncios
E do futuro sobram vazios.

Já não mais me importa:
Se inventamos uma história
E dela não há nem vestígio,
Se ao corpo que agora me abraça,
Entrego-me ao sacrifício.

Giulia Dummont

SEM VOCÊ

Sem você eu sou nada.
Sou noite sem madrugada,
Sem aurora, sem raiar.
Estrela sem poder brilhar.

Sem você eu sou nada.
Sou viajante sem pousada,
Sem rocinante para cavalgar,
Sem alento para caminhar.

Sem você eu sou nada.
Sou flor abandonada,
Ao sabor da tempestade.
Uma rainha sem majestade.

Sem você eu sou nada.
Sou uma sombra, desesperada,
Sou alma triste a vagar
Buscando onde se abrigar.

Sem você eu sou nada.
Sou a terra seca, castigada...
Sou pétala caída de flor que murchou,
Sou um sonho inacabado, que passou.

Brenno Kenji

METONÍMIA

Tentei gritar, não consegui 
Minha voz, perdi 
tantas eram as vozes que gritavam 
dentro de mim. 

Defronte a um espelho, meu rosto 
procurei na massa disforme da minha face 
E foi assim sério, com tal desgosto 
que descobri, então, o meu disfarce 

Não tinha um rosto, mas tantos rostos! 
Embaralhados, tal como cacos 
de vidro que, em mil pedaços, 
ora sorriam, ora choravam. 

Dentro de mim, todas as vozes 
gritavam em coro. Oh, tantos coros! 
E tantos rostos, quando choravam 
eu bem sabia que me matavam! 

Sim, eu morria, mas era um sonho! 
Sim, eu morria, e o meu sonho 
que, em pedaços, se contorcia, 
com tantas vozes e tantos rostos, 
também morria! 

Mas era um sonho, somente um sonho! 
Um sonho triste, tão moribundo 
Tudo morria! Mas em tal sonho 
nem nome eu tinha: 
eu era o Mundo 
que, então, morria...

(04/11/99)

Isabel Ribas

Vestida de céu,
no azul da manhã fria,
Curitiba acorda.
E grita poesia...

André Pereira

Um Homem

Eu vejo um homem
Simples e ignorante.
Poderoso e grande.
Um homem
Branco na alma quando morre
E negro na carne quando sofre.
Eu vejo dentro do homem
Um deus intolerante.
Um herói adormecido.
Um animal irracional.
Uma criança mimada.
Eu vejo uma mente rica
E um coração pobre.
Eu vejo um homem
Livre e mal amado.
Capaz e não entendido.
Um homem de bem
Crucificado na vida
E ressucitado na morte.
Eu vejo um homem igual aos outros homens.

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